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» Direito Penal
Cenas de Violência, Sexo e Drogas: Educar ou proibir as crianças?
LUIZ FLÁVIO GOMES
Doutor em Direito penal pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de
Madri, Mestre em Direito penal pela USP, Consultor e Parecerista e Diretor-Presidente
da TV Educativa IELF (1ª TV Jurídica da América Latina com cursos ao vivo em SP e
transmissão em tempo real para todo país - www.ielf.com.br).
O Ministério da Justiça, depois de ter posto em pauta e em discussão
o redimensionamento daquilo que é adequado ou inadequado para ser visto pelos menores,
autorizou o acesso de crianças e adolescentes, de faixa etária menor, a produções
audiovisuais destinadas aos mercados do cinema e dos vídeos (fitas e DVD) e indicadas
para a faixa etária imediatamente superior.
A fundamental exigência estabelecida é a obrigatoriedade de acompanhamento
dos pais ou responsáveis legais ou que eles autorizem expressamente outra pessoa, maior,
a conduzir o menor. De modo algum, entretanto, ele poderá assistir a qualquer produção
inadequada para menor de 18 anos.
É bem provável que nada seja mais sensato, coerente e oportuno que essa
nova regulamentação, porque a tarefa de bem educar a criança, cuidando do adequado
desenvolvimento da sua personalidade bem como do seu equilíbrio emocional, compete
à família e aos professores, que integram as bases primárias da transmissão dos valores
mais importantes da civilização (liberdade, paz, justiça, solidariedade e respeito aos
direitos e à dignidade alheios).
Depois da revolução comunicacional iniciada há 15 anos já não podemos
nos comportar como antes. Temos que mudar diametralmente nosso enfoque em relação ao tema
em debate. A postura proibitiva ou puramente repressiva perdeu quase que por completo
sua razão de ser com a enorme facilidade que a Internet e a TV nos proporcionam de
acesso a tudo quanto é informação ou imagem, incluindo obviamente violência,
drogas e sexo.
A lógica prioritária agora já não pode ser a de proibir ou permitir
(nada disso mais funciona), senão a de preparar espiritual e emocionalmente a criança
para saber se posicionar (sempre que possível criticamente). A mesma, aliás, que já
estamos adotando em relação ao álcool, drogas e cigarro.
A violência exposta nos cinemas e nos vídeos tornou-se, de certa maneira,
romântica diante do extraordinário bombardeio de palavras, escritos, sons e imagens
nocivos que nos mostram diariamente o mundo da web (rede internacional), da diversão
(videogames e desenhos animados) e da televisão.
De qualquer modo, ainda que sejam perniciosos os efeitos da exposição
diária das pessoas às cenas de violência e sexo (isso ficou claro na mais densa pesquisa
já elaborada em todos os tempos sobre o assunto e publicada na revista americana
"Science", em abril de 2002), é certo que não existe uma relação direta de causa
e efeito entre os meios de comunicação e a violência, que é um fenômeno muito mais
complexo do que parece.
Pais e professores, ao que tudo indica, são as chaves do enigma. Cada
lar e cada escola formam a essência da personalidade do indivíduo, que deve interpretar
e reelaborar o mundo que o cerca. Consoante os estímulos que a criança recebe e sua
herança genética é que ela vai crescer saudável ou não, infensa às agressões diárias
ou não, violenta ou não.
Elas aprendem suas habilidades e desenvolvem seus valores pela imitação,
mas a raça humana, de qualquer modo, é a única dotada de razão, discernimento e censo
crítico. A única que pode promover a paz onde só reina a guerra, a falta de respeito
mútuo, de solidariedade e a intolerância. Confiemos, desse modo, nos homens, na sua
capacidade de evoluir e de transcender suas limitações, na sua responsabilidade, em
suma, porque pouco podem nos ajudar, no mundo atual, as proibições legais.
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